Ninguém é uma coisa só. Se levarmos isso em conta, é mais simples entender as pessoas, ou entender que não dá pra entendê-las. É muito melhor aceitar que você está num constante processo cagado de mudança, do que dizer "odeio macarrão" e descobrir que macarrão com almondegas te leva à experimentar sensações extraordinárias... Deu pra sacar?
Meu ponto aqui não é parafrasear a aula de filosofia que te fez dormir, mas dizer que acredito que há versões de nós mesmos, não por aí, como um doppelgänger, mas por dentro, se manifestando a todo o tempo, de acordo com as circunstâncias. Nós usamos máscaras, e estamos usando uma diferente pra cada situação. Cada uma delas estimula uma versão nossa a vir à tona... E isso pode ser bem sinistro (alguém já viu Cisne Negro?)...
Não é que você precise conhecer cada lado de você mesmo, dominá-los ou qualquer coisa, nem sei se dá pra fazer isso, mas só aceitar que as pessoas são tão instáveis quanto um boneco de The Sims muda sua perspectiva a respeito dos outros e de si mesmo, e suas expectativas também. Te ajuda a manter a mente aberta, pra não falar "eu odeio" pra qualquer coisa que te desagrade num primeiro momento, te ajuda a acreditar mais em você e na sua capacidade de agir pra atingir seus objetivos.
Nós somos tudo, e tudo somos nós, e eu nem tô preocupado com a concordância verbal nessa frase! Quer dizer, não acabo de concluir que a vida não é sobre ser coerente? Gostar de The Beatles não te impede de ouvir pagode, ler George Orwell não quer dizer que você não possa gostar de Meg Cabot, ser fã dos filmes do Clint Eastwood não exclui a possibilidade de chorar em "4 Amigas e um Jeans Viajante".
And it goes on... Só não vale enlouquecer dançando balé e acabar com um caco de vidro no estômago, gente, pega leve na catarse :P



